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Empresário que vacila no senso de importância deixa água bater na bunda

02/10/2017

Empresário que vacila no senso de importância deixa água bater na bunda

Num ambiente corporativo, faz toda a diferença como o executivo utiliza suas horas. A afirmação pode ser óbvia, mas não é. O livro “A Tríade do Tempo”, de Christian Barbosa, valorizado em formação de coaching, escancara isso. E quando a questão é o atendimento à imprensa, o senso de importância precisa prevalecer sobre a esfera de urgência e da circunstância para garantir uma resposta precisa. Na medida certa.

Um assessor de imprensa que sabe muito bem o que é validar no mesmo dia uma nota de imprensa com a direção da companhia, sobretudo quando ela chega atravessada e inspira cuidados, já deve ter entendido aonde eu quero chegar.

Isso porque nem todo dirigente tem a sensibilidade de entender que o tempo em responder rapidamente a demanda é precioso quando está em jogo a defesa do bom nome da empresa.

A delicadeza do tema é que o tempo do empresário – que tem muitos afazeres, é claro, no seu dia a dia – não é o timing de um veículo de comunicação. Esse é o X da questão.

O que estou querendo dizer? No caso da comunicação, é vital que o CEO, diretor, gerente tenha o senso de importância à flor da pele. Para quem tem essa mentalidade, as coisas importantes têm prazos de execução e nunca são urgentes.

Transferindo a situação para uma resposta a uma demanda de imprensa, ter senso de importância é dedicar uma atenção a ela tão logo ela chegue. Mesmo que interrompa reuniões ou tarefas importantes.

Já retardar uma apreciação sobre o pedido jornalístico é dar lugar ao senso de urgência. Neste caso, com o deadline já estourado, não restará ao executivo reagir fora de hora, sem poder garantir qualidade para uma boa resposta.

A água já bateu na bunda e não tem outro jeito a não ser bolar uma resposta evasiva ou descuidada. O risco de se afogar é grande. A boia pode não estar mais ao alcance das mãos.

Na verdade, quem é movido pelo senso de urgência, de só agir quando a casa está pegando fogo ou quando é data-limite para fazer a declaração do imposto de renda, costuma ser vítima de outro senso bastante comum e altamente perigoso: o da circunstância.

Você sabe o que estou falando. Refiro-me àquele dirigente disperso, que se ocupa com atividades desnecessárias ou excessivas. Tempo gasto com tarefas secundárias, muitas vezes sem prioridade, ou com distrações vindas pelas redes sociais.

Executivo que perde tempo com o que não deve perder negligencia a melhor resposta. Não manda apurar direito o fato com todas as áreas envolvidas para concluir a procedência do problema e libera a nota de qualquer jeito, sem dar o recado que precisaria dar.

Às vezes, nem tanto é uma questão de pouco caso com a demanda. O empresário já até mapeou a questão, porém se perde em instâncias de validação. Muita gente pra dar pitaco sem nada a acrescentar.

Pior: além de não se debruçar com o tempo condizente diante da encrenca em forma de demanda de imprensa, o executivo lambe a cria, como se costuma falar em redação, demora a finalizar o texto e vê o prazo estourar. A frase não é nova, mas deveria virar uma placa com letras em neon na mesa do executivo: o ótimo é inimigo do bom.

Quando o questionamento de um repórter vem de um veículo de porte médio ou pequeno, a resposta mandada fora do deadline pode nem ser dada, já que a publicação está na gráfica.

Quando a solicitação é da Folha, Estadão ou O Globo, ainda há uma chance de uma reposta atrasada sair na edição local. No entanto, perde-se, infelizmente, a edição nacional, que fecha mais cedo.

Ou seja, o estrago é até minimizado em âmbito doméstico, ok, mas ampliado em esfera nacional. Em se tratando de marcas de projeção, o prejuízo é certo.

Como acontece, por exemplo, quando uma resposta vira uma nota-pé de um apresentador de TV. Isso ocorre quando o esclarecimento chega em cima da hora com o telejornal já no ar. A manifestação da empresa vira apenas um registro burocrático da emissora, que livra a sua cara ao oferecer o outro lado. É pró-forma.

A apostila do Instituto Brasileiro de Coaching é precisa ao definir o dano da procrastinação com uma frase de Harvey Mackay, executivo que já vendeu milhões de livros e é um dos mais festejados palestrantes norte-americanos: “Se não decides tuas prioridades e quanto tempo dedicarás a elas, alguém decidirá por ti”.

É fato: quando sua defesa está nas mãos do repórter, que está uma fera com você por ter ficado de castigo na redação à espera da nota que nunca chega, ou do editor, que está com sangue nos olhos pra confirmar a premissa dele contra a empresa, pode acender a vela e rezar pelo que será veiculado.

Por não ter feito bem o catecismo, o executivo pode pagar pelos pecados mesmo sendo santo.

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Foto Carlos Alencar PB
Carlos Frey Alencar

Gerente de Atendimento